Não foi um dia comum, seria assim que eu gostaria de começa um conto, um poema, um livro, e seria algo sobre a descoberta do obvio, pq acreditem a vida é feita de obviedades, sabemos as possibilidades do momento seguinte e nos apegamos aquela q nos agrada, nos iludimos por gosto e depois culpados os outros, obvio.
Não foi um dia comum, parada na sala, vi o amor sai mil vezes, como num loop, um novo fantasma se instalava na minha vida, na casa e eu procurava o fantasma antigo, que se recusava a sair do quarto, ela me protegeu por anos, por 20 anos e quando o amor chegou, ela se encheu de ciúmes e se isolou, tentei conversar lhe dizer q ninguém ocupa o lugar de ninguém que ela sempre sera aquela a quem amei sem medos, aquela que me teve virgem, casta, pura sem o campo minado q fiz em torno de mim, mas não me deu ouvidos, naqueles dias passava horas olhando pela janela, olhando não sei o que, deve ter visto quando o amor saiu de malas e cuias, não teceu comentários, sentou ao meu lado e pude ver seu sorriso fino, frio, sorriso que sumiu quando o novo fantasma chegou e parecendo ter vindo pra fica, tive vontade de ri da cara q ela fez, mas doía outro fantasma pela casa, com um já era difícil, imaginem com dois que não se falam, não se suportam, prevejo dias negros pela frente.
Não foi um dia comum, dia que eu tentava me livrar da dor do abandono, e procurava dentro de mim forças, referencias que me ajudasse a passar por essa dor, não encontrei nada pois, era uma dor bem comum, dessas que dizem: quando casa passa, mas se alguém me fala de casar, namorar ou ficar vai me ouvir rogando pragas, era uma dor que eu já conhecia bem, dor de amar errado, dor que se misturava com raiva, com fome, com solidão, com costume. Pensando nela, na dor, sei q ela existe pq permito, afinal não mudou nada na minha vida, ela continua igual, cinza (gosto de cinza)….
Não foi um dia comum, pois era um dia no meu inferno zodiacal, sou de Áries e por isso o amor me deixou, pq sou impulsiva, não vivo pela metade, se não fosse teria me calado, aceitado as migalhas quem me lançava, o mínimo tempo, ouviria as desculpas, as mentiras por um pouco de amor, ser de Áries me fez querer mais, procurar, mexer, chafurda, não gosto de nada morno….Me lembrei de um filme que vi na adolescência “Sob o signo de Áries”, lembro pedaços, era sobre uma mulher q vivia numa cadeira de rodas, conseqüência de um acidente e de cima dessa cadeira controlava a vida de todos na casa que ficava numa praia, onde nunca tinha dias ensolarados e a musica de fundo se confundia com o barulho do mar em eterna ressaca, batendo nos rochedos. A mulher aparecia sempre quando alguém estava sorrindo , planejando sair da casa, se afastar, ela entrava e todos se calavam pela culpa, tinha algo haver com o acidente, todos se sentiam culpados, dai a obviedade ela culpava os outros por um descuido dela, pq no fim se descobre q foi ela q provocou o tal acidente, pq o marido estava as voltas com outra, ela usava da dor , da culpa, pra mantê-los ali perto dela… no fim ela salta dos rochedos (pra quem vai pergunta o fim do filme). Sou de Áries e não foi um dia comum, mais um dia em q eu arrastava correntes pela casa, pois os fantasmas se recusava, um olhava pela janela o outro…. bom esse não tinha uma atividade estabelecida pois, acabou de chega, ainda vaga conhecendo a casa, abrindo minhas gavetas, portas.
Não foi um dia comum e ele ainda esta pelo meio,decidi enterra para sempre a dor e definir o espaço de cada fantasma na minha casa, na minha vida…. preciso tb definir como começarei um novo conto, talvez escreva pra alguém q me espera em algum lugar, talvez dê uma chance a quem pediu, talvez vá ver o mar… e por fim enumerar essas infinitas possibilidades que o fim do amor me deu e escolher a que mais me agrada, obvio.