A primeira vez que entrei em um puteiro ia lá pelos 32 anos, não sei pq nao entrei antes, pudor? medo? Não sei, tenho problemas com putas, eu confesso me apego e ai ja imaginaram eu apaixonada por uma puta, me sinto mal só de pensa. Acho q perderia noites de sono imaginando outras mãos pelo corpo dela, outras bocas, gozos q eu provaria por tabela, acho q vou vomita.
Mas para não assumir isso digo ser moça de familia, mas confesso a vocês não me aventurei por puro medo, não repitam essa estória a ninguem : sou do tipo q se apega.
Mas como ia dizendo, aos 32 entrei pela primeira vez em um puteiro, o nome do estabelecimento “Taj Mahal”, não me culpe pela falta de criatividade da dona, era pequena, franzina, pouca pintura, riso raro, diferente das cafetinas do meu imaginário, para mim elas eram gordas, boca vermelha, sobrancelas delineadas a lápis, cheirando a “Toque de Amor”, ”Charisma” ou outro perfume qualquer da Avon, unhas vermelhas afiadas, risada estridente.
Cheguei lá com um amigo que desapareceu rapidamente, procurei um canto e me entoquei, fiquei observando tudo, cada movimento, quem entrava, quem saia e a noite foi passando e nada do meu amigo volta. Ja passava das três da manha, acho q é a hora da liquidação, quando uma moça (puta) sentou do meu lado e puxou conversa, imaginam minha cara? Pois é, ela falava e eu não ouvia nada, ficava pensando de onde ela era, o q fazia ali (ela devia pensa o mesmo de mim), não era feia, mal tratada talvez, sorriso bonito e foi ai q comecei a ouvir e finalmente entendi que ela falava do som, que era alguma coisa sertaneja, ela me falava das lembranças que a musica lhe trazia, sua casa no interior, as festas da igreja, seus pais (tenho isso, cara de confessionário, todo mundo tem algo confessional pra me conta), contou que veio para Brasilia pra ser professora (fico pensando o q será q ela ensina hoje em dia?), mas o que conseguir foi dois filhos e essa vida, ela sentou mais perto e tocou minha perna, pensei em puxa-la, mas seria desagradavel, com a desculpa de que o som estava alto se aproximou e comecou a me fala no ouvido, acho que pensou q isso me excitaria, se ela soubesse o qto esta incomodada com tudo aquilo….
Passava das 4 horas da manha e meu amigo continuava desaparecido dentro do Taj Mahal, a moça q falava ao meu ouvido já estava impaciente, afinal ela se aproximava e eu me retraia, deve ter pensando “brocha”, a mão da moça (puta) procura minha mão, me esquivo, achei q ela estava preparando o golpe de misericordia, eu precisava sai dali, perguntei se nao queria beber algo, acho q ela pensou: finalmente, ela disse q sim, levantei correndo pra pegar, no balcão a cafetina-desilusão me olhava de canto, acho q tb não agradei a ela, pedi algo “fermentado” e uma coca, pra mim claro.
Quando estou voltando para meu canto, percebo meu amigo grudado nos lábios de uma moça (puta), mudo minha rota e vou falar com ele, que estava bem alegre, me pergunta se estou me divertido, lhe pergunto como é possivel, me diz q preciso relaxa, me entregar ao momento, não sei pq nao o esmurrei.
Decido ir embora, vou me despedir da moça (puta) que me fez companhia, pensei q ficaria chateada se saisse sem me despedir (não disse q me apego), que nada ela ja estava as voltas com um rapaz falante de gestos largo, que só parava de falar para beija-la com força………
Me dirigi a porta e qdo passava pelo balção, notei que a cafetina-decepção me lançou um sorriso, deve ter pensando: essa se apega.
* Para ouvir ao som de “Eu vou tirar você desse lugar” – Los Hermanos